Viver... É uma mistura de sentimentos! Encantos, desencantos. Sonhos, decepções. Amor, desamores... Altos e baixos... Medo... É encontros e desencontros. Tudo ao mesmo tempo! Mas, só sabemos o que é o VIVER, quando se vive intensamente. Quando aproveitamos cada minuto dessa trajetória que chama-se VIVER!!
Mostrando postagens com marcador Citações. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Citações. Mostrar todas as postagens

Razão ou Emoção


Não é fácil se enganar quando o sentimento
rompe as barreiras impostas pela razão.
Não é lógico ignorar que há um sentimento muito forte
e achar que a loucura se faz presente, que com o tempo
tudo volta a ser lógico, uma esperança
de sanidade emocional.

O medo de errar, o pavor em estar certo.
Entre falas ensaiadas do que parece correto,
pensamentos que não são precisos.

O mesmo sentimento que muda em pouco tempo,
"é tão bom que faz mal".
Torna-se desumano sufocar um sentimento,
sem ao mesmo dá-lo a chance de acontecer,
de matá-lo com a frieza que chamamos
de "melhor assim".

O que se nega,
é o que te falta?
Ditando regras ao incontrolável,
quando, como, onde e quem.

(Juh Scheppa)

Irmã, roubei do seu blogg. rsrsr

Lá se vai Ronaldo


Lá se vai Ronaldo, o Fenômeno do futebol brasileiro.
Lá se vai pouco depois de uma derrota do seu time.
Lá se vai porque não dá mais espetáculo.
A sociedade é implacavelmente furiosa contra quem não lhe dá os
resultados esperados.

Lá se vai Ronaldo, o nosso artilheiro das Copas, porque agora
a imaginação do seu drible não desce mais até suas pernas.
A mente pode querer, mas o corpo não deseja.
E no esporte, o corpo é soberano.

Lá se vai Ronaldo, esse que sabe como são efêmeras as glórias.
Quem aplaude é quem vaia. Quem chama é quem despede.
O resto é ilusão.

Como Ronaldo, quantas vezes somos expulsos do circo,
porque não domamos mais um leão por dia.
Como Ronaldo, precisamos saber que há tempo de plantar e tempo
de arrancar o que se plantou, tempo de dançar e tempo de chorar,
tempo de abraçar e tempo de se conter.
Só permanece para sempre o que Deus faz. ( Eclesiastes 3)

Como Ronaldo, precisamos começar de novo, devemos começar de novo.
Alcançamos alguns alvos, mas outros ainda são possíveis.

(Israel Belo de Azevedo)

Leito de flores


Quero amar você em um leito de flores
Sob o domo do infinito, Teto divino, o céu.
Sentir os seios estremecer de amores.
Beijar seus lábios, favos de mel.

A única canção será a dos ventos,
Zéfiros risonhos na noite a dançar.
Nosso lençol será a fina neblina,

Ah! Minha menina com anseio te amar.
E nas sombras da muda escuridão,
Farei juras de amor eternas,

Não importa qual será a estação
Irei te amar do verão a primavera.
As brumas irão lentamente se esvaecer,
E com elas desaparecerá o lençol de neblina.

E no leito de flores iremos viver
Uma vida de amor, bela menina.
A terra úmida dos beijos do orvalho,
Será nossa cúmplice silenciosa,
Quero apenas verter minha poesia,
Em sua boca misteriosa.

Mistério da vida, segredo dos amores:
Corpos, almas, espíritos... Natureza em harmonia.
Só quero deixar esse leito de flores,
Quando vim raiando a luz do dia.
(Adriano Luchi)

Casamento



Naquela noite, enquanto minha esposa servia o jantar, eu segurei sua mão e disse: "Tenho algo importante para te dizer". Ela se sentou e jantou sem dizer uma palavra. Pude ver sofrimento em seus olhos.

De repente, eu também fiquei sem palavras. No entanto, eu tinha que dizer a ela o que estava pensando. Eu queria o divórcio. E abordei o assunto calmamente.

Ela não parecia irritada pelas minhas palavras e simplesmente perguntou em voz baixa: "Por quê?"

Eu evitei respondê-la, o que a deixou muito brava. Ela jogou os talheres longe e gritou "você não é homem!" Naquela noite, nós não conversamos mais. Pude ouví-la chorando. Eu sabia que ela queria um motivo para o fim do nosso casamento. Mas eu não tinha uma resposta satisfatória para esta pergunta. O meu coração não pertencia a ela mais e sim a Jane. Eu simplesmente não a amava mais, sentia pena dela.

Me sentindo muito culpado, rascunhei um acordo de divórcio, deixando para ela a casa, nosso carro e 30% das ações da minha empresa.

Ela tomou o papel da minha mão e o rasgou violentamente. A mulher com quem vivi pelos últimos 10 anos se tornou uma estranha para mim. Eu fiquei com dó deste desperdício de tempo e energia mas eu não voltaria atrás do que disse, pois amava a Jane profundamente. Finalmente ela começou a chorar alto na minha frente, o que já era esperado. Eu me senti libertado enquanto ela chorava. A minha obsessão por divórcio nas últimas semanas finalmente se materializava e o fim estava mais perto agora.

No dia seguinte, eu cheguei em casa tarde e a encontrei sentada na mesa escrevendo. Eu não jantei, fui direto para a cama e dormi imediatamente, pois estava cansado depois de ter passado o dia com a Jane.

Quando acordei no meio da noite, ela ainda estava sentada à mesa, escrevendo. Eu a ignorei e voltei a dormir.

Na manhã seguinte, ela me apresentou suas condições: ela não queria nada meu, mas pedia um mês de prazo para conceder o divórcio. Ela pediu que durante os próximos 30 dias a gente tentasse viver juntos de forma mais natural possivel. As suas razões eram simples: o nosso filho faria seus examos no próximo mês e precisava de um ambiente propício para prepar-se bem, sem os problemas de ter que lidar com o rompimento de seus pais.

Isso me pareceu razoável, mas ela acrescentou algo mais. Ela me lembrou do momento em que eu a carreguei para dentro da nossa casa no dia em que nos casamos e me pediu que durante os próximos 30 dias eu a carregasse para fora da casa todas as manhãs. Eu então percebi que ela estava completamente louca mas aceitei sua proposta para não tornar meus próximos dias ainda mais intoleráveis.

Eu contei para a Jane sobre o pedido da minha esposa e ela riu muito e achou a idéia totalmente absurda. "Ela pensa que impondo condições assim vai mudar alguma coisa; melhor ela encarar a situação e aceitar o divórcio" ,disse Jane em tom de gozação.

Minha esposa e eu não tínhamos nenhum contato físico havia muito tempo, então quando eu a carreguei para fora da casa no primeiro dia, foi totalmente estranho. Nosso filho nos aplaudiu dizendo

"O papai está carregando a mamãe no colo!" Suas palavras me causaram constrangimento. Do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa, eu devo ter caminhado uns 10 metros carregando minha esposa no colo. Ela fechou os olhos e disse baixinho "Não conte para o nosso filho sobre o divórcio" Eu balancei a cabeça mesmo discordando e então a coloquei no chão assim que atravessamos a porta de entrada da casa. Ela foi pegar o ônibus para o trabalho e eu dirigi para o escritório.

No segundo dia, foi mais fácil para nós dois. Ela se apoiou no meu peito, eu senti o cheiro do perfume que ela usava. Eu então percebi que há muito tempo não prestava atenção a essa mulher. Ela certamente tinha envelhecido nestes últimos 10 anos, havia rugas no seu rosto, seu cabelo estava ficando fino e grisalho. O nosso casamento teve muito impacto nela. Por uns segundos, cheguei a pensar no que havia feito para ela estar neste estado.

No quarto dia, quando eu a levantei, senti uma certa intimidade maior com o corpo dela. Esta mulher havia dedicado 10 anos da vida dela a mim.

No quinto dia, a mesma coisa. Eu não disse nada a Jane, mas ficava a cada dia mais fácil carregá-la do nosso quarto à porta da casa. Talvez meus músculos estejam mais firmes com o exercício, pensei.

Certa manhã, ela estava tentando escolher um vestido. Ela experimentou uma série deles mas não conseguia achar um que servisse. Com um suspiro, ela disse "Todos os meus vestidos estão grandes para mim". Eu então percebi que ela realmente havia emagrecido bastante, daí a facilidade em carregá-la nos últimos dias.

A realidade caiu sobre mim com uma ponta de remorso... ela carrega tanta dor e tristeza em seu coração..... Instintivamente, eu estiquei o braço e toquei seus cabelos.

Nosso filho entrou no quarto neste momento e disse "Pai, está na hora de você carregar a mamãe". Para ele, ver seu pai carregando sua mão todas as manhãs tornou-se parte da rotina da casa. Minha esposa abraçou nosso filho e o segurou em seus braços por alguns longos segundos. Eu tive que sair de perto, temendo mudar de idéia agora que estava tão perto do meu objetivo. Em seguida, eu a carreguei em meus braços, do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa. Sua mão repousava em meu pescoço. Eu a segurei firme contra o meu corpo. Lembrei-me do dia do nosso casamento.

Mas o seu corpo tão magro me deixou triste. No último dia, quando eu a segurei em meus braços, por algum motivo não conseguia mover minhas pernas. Nosso filho já tinha ido para a escola e eu me vi pronunciando estas palavras: "Eu não percebi o quanto perdemos a nossa intimidade com o tempo".

Eu não consegui dirigir para o trabalho.... fui até o meu novo futuro endereço, saí do carro apressadamente, com medo de mudar de idéia...Subi as escadas e bati na porta do quarto. A Jane abriu a porta e eu disse a ela "Desculpe, Jane. Eu não quero mais me divorciar".

Ela olhou para mim sem acreditar e tocou na minha testa "Você está com febre?" Eu tirei sua mão da minha testa e repeti "Desculpe, Jane. Eu não vou me divorciar. Meu casamento ficou chato porque nós não soubemos valorizar os pequenos detalhes da nossa vida e não por falta de amor. Agora eu percebi que desde o dia em que carreguei minha esposa no dia do nosso casamento para nossa casa, eu devo segurá-la até que a morte nos separe.

A Jane então percebeu que era sério. Me deu um tapa no rosto, bateu a porta na minha cara e pude ouví-la chorando compulsivamente. Eu voltei para o carro e fui trabalhar.

Na loja de flores, no caminho de volta para casa, eu comprei um buquê de rosas para minha esposa. A atendente me perguntou o que eu gostaria de escrever no cartão. Eu sorri e escrevi: "Eu te carregarei em meus braços todas as manhãs até que a morte nos separe".

Naquela noite, quando cheguei em casa, com um buquê de flores na mão e um grande sorriso no rosto, fui direto para o nosso quarto onde encontrei minha esposa deitada na cama - morta.

Minha esposa estava com câncer e vinha se tratando a vários meses, mas eu estava muito ocupado com a Jane para perceber que havia algo errado com ela. Ela sabia que morreria em breve e quis poupar nosso filho dos efeitos de um divórcio - e prolongou a nossa vida juntos proporcionando ao nosso filho a imagem de nós dois juntos toda manhã. Pelo menos aos olhos do meu filho, eu sou um marido carinhoso.

Os pequenos detalhes de nossa vida são o que realmente contam num relacionamento. Não é a mansão, o carro, as propriedades, o dinheiro no banco. Estes bens criam um ambiente propício a felicidade mas não proporcionam mais do que conforto. Portanto, encontre tempo para ser amigo de sua esposa, faça pequenas coisas um para o outro para mantê-los próximos e íntimos. Tenham um casamento real e feliz!

Se você não dividir isso com alguém, nada vai te acontecer.

Mas se escolher enviar para alguém, talvez salve um casamento.

Muitos fracassados na vida são pessoas que não perceberam que estavam tão perto do sucesso e preferiram desistir..

UM CASAMENTO CENTRADO EM CRISTO É UM CASAMENTO QUE DURA UMA VIDA TODA.

Insônia

Noite alta. Meus olhos não me deixam dormir,
Riscados por veias teimam em ficar acordados.
E no tic- tac desaforado do relógio vi o tempo fugir,
Levando junto com a insônia sonhos roubados.

No meu quarto o tormento é profundo,
Meus olhos queimam como ardentes brasas,
Minha cabeça gira tresloucadamente com o mundo,

E a insônia me atormenta com suas impiedosas vagas.
A única coisa que eu desejo é adormecer,
Mas, infelizmente não consigo.

Será que mais uma vez insone verei o dia amanhecer?
Não sei o que está acontecendo comigo.
Só não quero ver a noite novamente morrer,
Nos braços desse terrível inimigo.
(Van Luchi)

Minha cara amiga

Pus o meu sonho num navioe o navio em cima do mar;
 depois, abri o mar com as mãos,para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadasdo azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendomeu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;praia lisa, águas ordenadas,meus olhos secos como pedrase as minhas duas mãos quebradas
(Cecília Meirelle)

Estou cansado


Cansei! Entendo que o mundo evangélico não admite que um pastor confesse o seu cansaço. Conheço as várias passagens da Bíblia que prometem restaurar os trôpegos.

Compreendo que o profeta Isaías ensina que Deus restaura as forças do que não tem nenhum vigor. Também estou informado de que Jesus dá alívio para os cansados. Por isso, já me preparo para as censuras dos que se escandalizarem com a minha confissão e me considerarem um derrotista. Contudo, não consigo dissimular: eu me acho exausto.

Não, não me afadiguei com Deus ou com minha vocação.

Continuo entusiasmado pelo que faço; amo o meu Deus, bem como minha família e amigos. Permaneço esperançoso. Minha fadiga nasce de outras fontes.

Canso com o discurso repetitivo e absurdo dos que mercadejam a Palavra de Deus. Já não aguento mais que se usem versículos tirados do Antigo Testamento e que se aplicavam a Israel para vender ilusões aos que lotam as igrejas em busca de alívio. Essa possibilidade mágica de reverter uma realidade cruel me deixa arrasado porque sei que é uma propaganda enganosa. Cansei com os programas de rádio em que os pastores não anunciam mais os conteúdos do evangelho; gastam o tempo alardeando as virtudes de suas próprias instituições. Causa tédio tomar conhecimento das infinitas campanhas e correntes de oração; todas visando exclusivamente encher os seus templos. Considero os amuletos evangélicos horríveis.

Cansei de ter de explicar que há uma diferença brutal entre a fé bíblica e as crendices supersticiosas.

Canso com a leitura simplista que algumas correntes evangélicas fazem da realidade. Sinto-me triste quando percebo que a injustiça social é vista como uma conspiração satânica, e não como fruto de uma construção social perversa. Não consideram os séculos de preconceitos nem que existe uma economia perversa privilegiando as elites há séculos. Não aguento mais cultos de amarrar demónios ou de desfazer as maldições que pairam sobre o Brasil e o mundo.

Canso com a repetição enfadonha das teologias sem criatividade nem riqueza poética. Sinto pena dos teólogos que se contentam em reproduzir o que outros escreveram há séculos. Presos às molduras de suas escolas teológicas, não conseguem admitir que haja outros ângulos de leitura das Escrituras. Convivem com uma teologia pronta. Não enxergam sua pobreza porque acreditam que basta aprofundarem um conhecimento “científico” da Bíblia e desvendarão os mistérios de Deus. A aridez fundamentalista exaure as minhas forças.

Canso com os estereótipos pentecostais. Como é doloroso observá-los: sem uma visitação nova do Espírito Santo, buscam criar ambientes espirituais com gritos e manifestações emocionais. Não há nada mais desolador que um culto pentecostal com uma coreografia preservada, mas sem vitalidade espiritual. Cansei, inclusive, de ouvir piadas contadas pelos próprios pentecostais sobre os dons espirituais.

Cansei de ouvir relatos sobre evangelistas estrangeiros que vêm ao Brasil para soprar sobre as multidões. Fico abatido com eles porque sei que provocam que as pessoas “caiam sob o poder de Deus” para tirar fotografias ou gravar os acontecimentos e depois levantar fortunas em seus países de origem.

Canso com as perguntas que me fazem sobre a conduta cristã e o legalismo. Recebo todos os dias várias mensagens electrónicas de gente me perguntando se pode beber vinho, usar “piercing”, fazer tatuagem, se tratar com acupunctura etc., etc. A lista é enorme e parece inexaurível. Canso com essa mentalidade pequena, que não sai das questiúnculas, que não concebe um exercício religioso mais nobre; que não pensa em grandes temas.

Canso com gente que precisa de cabrestos, que não sabe ser livre e não consegue caminhar com princípios. Acho intolerável conviver com aqueles que se acomodam com uma existência sob o domínio da lei e não do amor. Canso com os livros evangélicos traduzidos para o português. Não tanto pelas traduções mal feitas, tampouco pelos exemplos tirados do golfe ou do basebol, que nada têm a ver com a nossa realidade. Canso com os pacotes prontos e com o pragmatismo. Já não aguento mais livros com dez leis ou vinte e um passos para qualquer coisa. Não consigo entender como uma igreja tão vibrante como a brasileira precisa copiar os exemplos lá do norte, onde a abundância é tanta que os profetas denunciam o pecado da complacência entre os crentes.

Cansei de ter de opinar se concordo ou não com um novo modelo de crescimento de igreja copiado e que vem sendo adoptado no Brasil.

Canso com a falta de beleza artística dos evangélicos. Há pouco compareci a um show de música evangélica só para sair arrasado. A musicalidade era medíocre, a poesia sofrível e, pior, percebia-se o interesse comercial por trás do evento. Quão diferente do dia em que me sentei na Sala São Paulo para ouvir a música que Johann Sebastian Bach (1685-1750) compôs sobre os últimos capítulos do Evangelho de São João. Sob a batuta do maestro, subimos o Gólgota. A sala se encheu de um encanto mágico já nos primeiros acordes; fechei os olhos e me senti em um templo. O maestro era um sacerdote e nós, a plateia, uma assembleia de adoradores. Não consegui conter minhas lágrimas nos movimentos dos violinos, dos oboés e das trompas. Aquela beleza não era deste mundo. Envoltos em mistério, transcendíamos a mecânica da vida e nos transportávamos para onde Deus habita. Minhas lágrimas naquele momento também vinham com pesar pelo distanciamento estético da actual cultura evangélica, contente com tão pouca beleza.

Canso de explicar que nem todos os pastores são gananciosos e que as igrejas não existem para enriquecer sua liderança. Cansei de ter de dar satisfações todas as vezes que faço qualquer negócio em nome da igreja. Tenho de provar que nossa igreja não tem título protestado em cartório, que não é rica, e que vivemos com um orçamento apertado. Não há nada mais desgastante do que ser obrigado a explanar para parentes ou amigos não evangélicos que aquele último escândalo do jornal não representa a grande maioria dos pastores que vivem dignamente.

Canso com as vaidades religiosas. É fatigante observar os líderes que adoram cargos, posições e títulos.

Desdenho os conchavos políticos que possibilitam eleições para os altos escalões denominacionais. Cansei das vaidades académicas e dos mestrados e doutorados que apenas enriquecem os currículos e geram uma soberba tola. Não suporto ouvir que mais um se auto-intitulou apóstolo.

Sei que estou cansado, entretanto, não permitirei que o meu cansaço me torne um cínico. Decidi lutar para não atrofiar o meu coração.

Por isso, opto por não participar de uma máquina religiosa que fabrica ícones. Não brigarei pelos primeiros lugares nas festas solenes patrocinadas por gente importante. Jamais oferecerei meu nome para compor a lista dos prelectores de qualquer conferência. Abro mão de querer adornar meu nome com títulos de qualquer espécie. Não desejo ganhar aplausos de auditórios famosos.

Buscarei o convívio dos pequenos grupos, priorizarei fazer minhas refeições com os amigos mais queridos. Meu refúgio será ao lado de pessoas simples, pois quero aprender a valorizar os momentos despretensiosos da vida. Lerei mais poesia para entender a alma humana, mais romances para continuar sonhando e muita boa música para tornar a vida mais bonita. Desejo meditar outras vezes diante do pôr-do-sol para, em silêncio, agradecer a Deus por sua fidelidade. Quero voltar a orar no secreto do meu quarto e a ler as Escrituras como uma carta de amor de meu Pai.

Pode ser que outros estejam tão cansados quanto eu. Se é o seu caso, convido-o então a mudar a sua agenda; romper com as estruturas religiosas que sugam suas energias; voltar ao primeiro amor. Jesus afirmou que não adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma. Ainda há tempo de salvar a nossa.

 
(Ricardo Gondim)

Soneto 30



Quando à corte silente do pensar
Eu convoco as lembranças do passado,
Suspiro pelo que ontem fui buscar,
Chorando o tempo já desperdiçado,
Afogo olhar em lágrima, tão rara,
Por amigos que a morte anoiteceu;
Pranteio dor que o amor já superara,
Deplorando o que desapareceu.
Posso então lastimar o erro esquecido,
E de tais penas recontar as sagas,
Chorando o já chorado e já sofrido,
Tornando a pagar contas todas pagas.
Mas, amigo(a), se em ti penso um momento,
Vão-se as perdas e acaba o sofrimento.
(William Shakespeare )

Sê corajoso e forte


Quando estiveres fatigado e triste
e meditares na terrível sorte,
não temas, pois Jesus é teu amigo:
Sê corajoso e forte!
Se te apanharem pelo mar da vida,
da dor cruenta o vendaval e a morte,
não desanimes, Cristo está contigo:
Sê corajoso e forte!
Se, no trajeto pelo mundo incauto,
vires perdida a orientação, o norte,
segue a Jesus e Ele será teu guia:
Sê corajoso e forte!
Se o dissabor, que fere a humanidade,
no coração abrir-te fundo corte,
pede a Jesus, pois Ele dá o alívio:
Sê corajoso e forte!
Se forem tantas as dificuldades,
que a tua força já não mais suporte,
roga ao Senhor que te mantenha firme:
Sê corajoso e forte!
Se vacilares, pela vida escura,
e com teu mal o mundo nem se importe,
ora com fê - e te erguerás contente:
Sê corajoso e forte!

(Gióia Júnior)

Natal


Jesus nasceu.
Na abóbada infinita
Soam cânticos vivos de alegria;
E toda a vida universal palpita
Dentro daquela pobre estrebaria...
Não houve sedas, cetins, nem rendas No berço humilde em que nasceu Jesus...
Mas os pobres trouxeram oferendas
Para quem iria morrer na cruz.Sobre a palha, risonho, e iluminado
Pelo luar dos olhos de Maria,Vede o Menino-Deus, que está cercado
Dos animais da pobre estrebaria.Não nasceu entre pompas reluzentes;
Na humildade e na paz deste lugar,
Assim que abriu os olhos inocentes
Foi para os pobres seu primeiro olhar.
No entanto, os reis da terra, pecadores,Seguindo a estrela que ao presepe os guia,
Vem cobrir de perfumes e de flores
O chão daquela pobre estrebaria.hinos de amor ao céu profundo;
Homens, Jesus nasceu! Natal!Sobre esta palha está quem salva o mundo,
Quem ama os fracos, quem perdoa o mal,
Natal! Natal! Em toda a naturezaH
á sorrisos e cantos, neste dia...Salve Deus da humildade e da pobreza
Nascido numa pobre estrebaria.
(de Luchi)

Do pólen a raiz

Perturbado estou
Minha alma arrasta pedras
Que encontrou pelo caminho.

Perturbado estou
Porque tamanho peso?
Não posso seguir leve
Extenso destino.

Quero acompanhar
As penas finas que flutuam
Da nuvem alta onde voam
Em recortes que encantam
Aves em flertes, raios, sóis e ventos...
No reflexo onde mais próximo vejo o céu
No mar onde não mora a solidão

Meu destino não é mais
Na baladeira guenza do menino
Mas é na estrada onde a terra
S o l t a endureceu

Meus olhos não acompanham
O vaporoso colibri...
Fui esperança de um pólen
Hoje sou velha e lenta raiz.
(Delor Junior)

Utopia

Eu acredito na vida, ainda que ela me pregue peças.
Creio em Deus, mesmo não O entendo.
Confio na liberdade, apesar de existirem prisões.
Busco a paz, mesmo em um mundo de guerras.
Acredito no amor, mesmo que não seja amado ou exista o ódio.
Tenho fé na fé, mesmo que ela seja um paradoxo.
Luto pela família, mesmo em meio a ruínas de lares.
Tenho sonhos, ainda que me mostrem pesadelos.
Creio na verdade, apesar de haverem muitas mentiras.
Amo a justiça, não obstante existirem as injustiças.
Batalho pelo direito, apesar de das desigualdades.
Tenho esperança na sociedade, mesmo sabendo que ela não é justa.
Acredito na política, ainda que homens e governos não honrem.
Espero na Esperança, ainda que todos ao meu redor se mostrem pessimistas.
Sempre haverá dia, ainda que falem de noites escuras.
Eu acredito, creio, confio, busco, tenho fé, luto, sonho, amo, batalho, espero...
Sempre haverá dia.
Talvez me perguntem: “Sonhas moço?”“Sim, eu sonho... os que não sonham morreram!
Só se morre quando se deixa de sonhar!
(Van Luchi)

Espelho, Espelho Meu


Espelho, espelho meu...
Quantos não temeram e temem
Perguntar ao espelho
Sobre o verdadeiro Eu.
Espelho, espelho meu???
Mas diante de tantos espelhos,
Será que em algum deles
Não ficou perdido o meu Eu?
Espelho, espelho meu:
Minha imagem em ti refletida,
É apenas uma forma desabrida
Daquilo que sou Eu.Espelho, espelho meu!
O espelho não mente,Basta olhá-lo atentamente
Que encontraremos nosso Eu.
(Van Luchi)

O Beijo da Esperança


Era manhã, e ela me beijava a fronte...
Assim eu sentia o beijo da esperança,
Como sorriso em rosto de criança,
Que adormece como sol no horizonte.
Mas na memória eu guardo a cena,
Dos lábios da Esperança em minha testa,
Se despedindo sem pressa,
Mas deixando-me... Que pena.
Mas como as aves que voltam ao ninho,
A Esperança sempre voltará,
Não me deixará mais sozinho.
Vem esperança outra vez minha face beijar

Amei

Amei uma tênue sombra.
Amei um profundo vazio.
Amei uma vaga ilusão...
Ah! Amei um belo rio.
Amei o que é passageiro,
E aquilo que pouco tempo dura,
Mas por ter amado tanto,
Vi meu coração ser baixado à sepultura.
Amei com todo meu ser,
Talvez tenha amado em vão.
Amei simplesmente você,
Aquela que sepultou meu coração.
E sobre esse túmulo há uma lápide,
Escrita por tuas frágeis mãos.
Assim, nela estava escrito:
Ele me amou de coração.

Van Luchi

Falando com Deus


Só vos conhece, amor, quem se conhece,
Só vos entende bem quem bem se entende,
Só quem se ofende assim não vos ofende,
E só vos pode amar quem se aborrece.
Só quem se mortifica em vós floresce,
Só é senhor de si quem se vos rende,
Só sabe pretender quem vos pretende,
E só sobe por vós quem por vós desce.
Quem tudo por vós perde tudo ganha,
Pois tudo quanto há tudo em vós cabe;
Ditoso quem no vosso amor se inflama,
Pois faz troca tão alta e tão estranha,
Mas só vos pode amar o que vos sabe,
Só vos pode saber o que vos ama.
(Jerônimo Bahia )

O Homem e a Mulher

O homem é a mais elevada das criaturas.
A mulher é o mais sublime dos ideais.
Deus fez para o homem um trono.
Para a mulher, um altar.
O trono exalta.O altar santifica.
O homem é o cérebro; a mulher é o coração.
O cérebro fabrica a luz; o coração produz Amor.
A luz fecunda.
O Amor ressuscita.
O homem é forte pela razão.
A mulher é invencível pelas lágrimas.
A razão convence.As lágrimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos.
A mulher, de todos os martírios.
O heroísmo enobrece.
O martírio sublima.
O homem tem a supremacia.
A mulher, a preferência.
A supremacia significa a força.
A preferência representa o direito.
O homem é um gênio; a mulher, um anjo.
O gênio é imensurável; o anjo, indefinível.
Contempla-se o infinito.
Admira-se o inefável.
A aspiração do homem é a suprema glória.
A aspiração da mulher é a virtude extrema.
A glória faz tudo grande.
A virtude faz tudo divino.
O homem é um código.
A mulher, um evangelho.
O código corrige.
O evangelho aperfeiçoa.
O homem pensa.
A mulher sonha.
Pensar é ter no crânio uma larva.
Sonhar é ter na fronte uma auréola.
O homem é um oceano.
A mulher um lago.
O oceano tem a pérola que adorna.
O lago, a poesia que deslumbra.
O homem é a águia que voa.
A mulher é o rouxinol que canta.
Voar é dominar o espaço.
Cantar é conquistar a alma.
O homem é um templo.
A mulher é o sacrário.
Ante o templo nos descobrimos.
Ante o sacrário nos ajoelhamos.
Enfim, o homem está colocado onde termina a terra.
E a mulher onde começa o céu.
(Vitor Hugo)

É fácil

É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!
Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da almaSenão da nossa;
As dos outros são olhares,São gestos,
são palavras,Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo.

(Fernando Pessoa)

Os pobres


Aí vêm pelos caminhos,
Descalços, de pés no chão,
Os pobres que andam sozinhos,
Implorando compaixão.
Vivem sem cama e sem teto,
Na fome e na solidão:Pedem um pouco de afeto,
Pedem um pouco de pão.
São tímidos? São covardes?
Têm pejo? Têm confusão?
Parai quando os encontrardes,
E dai-lhes a vossa mão
Guiai-lhe os tristes passos!
Dai-lhes, sem hesitação,
O apoio do vossos braços,
Metade de vosso pão!
Não receieis que, algum dia,
Vos assalte a ingratidão:
O prêmio está na alegria
Que tereis no coração.
Protegei os desgraçados,
Órfãos de toda a afeição:
E sereis abençoados
Por um pedaço de pão . . .

(Olavo Bilac)

Rir

Rir é arriscar-se a parecer louco.
Chorar é arriscar-se a parecer sentimental.
Estender a mão para o outro é arriscar-se a se envolver.
Expor seus sentimentos é arriscar-se a expor seu eu verdadeiro.
Amar é arriscar-se a não ser amado.
Expor suas idéias e sonhos ao público é arriscar-se a perder.
Viver é arriscar-se a morrer...
Ter esperança é arriscar-se a sofrer decepção.
Tentar é arriscar-se a falhar.
Mas... é preciso correr riscos.
Porque o maior azar da vida é não arriscar nada...
Pessoas que não arriscam, que nada fazem, nada são.
Podem estar evitando o sofrimento e a tristeza.
Mas assim não podem aprender, sentir, crescer, mudar, amar, viver...
Acorrentadas às suas atitudes, são escravas;
Abrem mão de sua liberdade.Só a pessoa que se arrisca é livre...
"Arriscar-se é perder o pé por algum tempo.
Não se arriscar é perder a vida...
"Soren Kiekegaard"